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Por que médicos não querem que farmacêuticos prescrevam medicamentos?

Descubra por que a prescrição de medicamentos pelos farmacêuticos está gerando tanto debate.

Nos últimos tempos, um assunto tem gerado muita repercussão nos corredores da saúde. A suspensão de uma resolução que permitia aos farmacêuticos prescreverem medicamentos revisitou um debate importante, não só sobre regulamentações, mas também sobre a segurança do paciente e a atuação de cada profissional.

Afinal, quem está realmente preparado para tomar decisões sobre a saúde de um indivíduo?

A polêmica da prescrição farmacêutica

Em março de 2025, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) publicou uma resolução permitindo que farmacêuticos prescrevessem medicamentos, incluindo aqueles que exigem receita médica. A medida, no entanto, gerou críticas pesadas de entidades médicas, como o Conselho Federal de Medicina (CFM), que afirmam que a prescrição de medicamentos deve ser uma função exclusiva dos médicos. Eles alegam que os farmacêuticos não têm a formação necessária para diagnosticar doenças e definir tratamentos.

A ação judicial e o parecer da Justiça Federal

O CFM não se calou diante dessa resolução e, em uma ação judicial, conseguiu que a Justiça Federal suspendesse a norma. O juiz responsável pelo caso, Aalôr Piacini, argumentou que a farmácia não é o lugar adequado para diagnóstico e que uma mudança as funções de um profissional só pode ser determinada por uma lei sancionada pelo Congresso Nacional.

Farmacêutico organizando medicamentos em uma prateleira de farmácia.
Médicos defendem que a prescrição de medicamentos exige conhecimento médico especializado. Imagem: Adobe Stock

Os médicos: argumentando pela exclusividade da prescrição

O CFM destaca que a prescrição de medicamentos envolve mais do que o simples ato de recomendar um remédio. Segundo os médicos, trata-se de um processo que exige conhecimento profundo sobre diagnóstico de doenças, efeitos colaterais, interações medicamentosas e as condições do paciente. Eles afirmam que os farmacêuticos, por não terem formação médica, não estariam capacitados para tomar decisões tão complexas, o que poderia gerar riscos à saúde pública.

José Hiran Gallo, presidente do CFM, reforçou essa visão, declarando que permitir que farmacêuticos prescrevam medicamentos poderia levar a erros graves no tratamento de pacientes, prejudicando, assim, a saúde coletiva.

O CFF defende que os farmacêuticos têm o conhecimento técnico necessário para realizar prescrições em situações específicas. Eles argumentam que já existem legislações estaduais e municipais que reconhecem a importância dessa atuação. O CFF destaca, por exemplo, a experiência positiva com a prescrição de medicamentos para prevenção de HIV (PrEP e PEP), uma prática que já é regulamentada pelo Ministério da Saúde.

Para o CFF, a atuação dos farmacêuticos pode aliviar a carga sobre os médicos, melhorar o acesso à saúde e otimizar o atendimento ao público, sem comprometer a segurança do paciente. Eles acreditam que, com a formação adequada, os farmacêuticos poderiam contribuir para a saúde da população.

O que está em jogo?

A questão vai além de uma simples disputa sobre funções profissionais. Está em jogo o acesso mais ágil e seguro aos tratamentos médicos. De um lado, médicos defendem a preservação da exclusividade da prescrição, considerando a complexidade do diagnóstico e do tratamento de doenças. De outro, farmacêuticos acreditam que, com a devida capacitação, podem desempenhar um papel fundamental na promoção da saúde pública e no alívio do sistema médico.

Esse debate, ainda em andamento, deve seguir gerando reflexões importantes sobre a melhor forma de garantir que os pacientes recebam o tratamento mais seguro e eficiente possível.

Dicas importantes para garantir sua saúde e segurança no uso de medicamentos

1. Procure sempre a orientação de um profissional de saúde

Embora a proposta de permitir que farmacêuticos prescrevam medicamentos seja uma discussão válida, é fundamental lembrar que, em qualquer situação, é essencial contar com a orientação de um médico qualificado. Eles são os profissionais preparados para fazer diagnósticos e indicar o tratamento adequado para cada condição de saúde.

2. A importância do acompanhamento médico

Mesmo que o farmacêutico tenha um conhecimento profundo sobre medicamentos, ele não possui a formação necessária para avaliar as condições de saúde de maneira geral. Por isso, um acompanhamento médico constante é vital para garantir que o tratamento seja seguro e eficaz. Nunca substitua consultas médicas por automedicação.

3. Esteja atento à evolução das normas de saúde

A área da saúde está em constante evolução, e mudanças nas regulamentações podem impactar diretamente o acesso ao cuidado e à medicação. Mantenha-se informado sobre as novas resoluções e entenda como elas podem afetar você e sua saúde, especialmente se você faz uso contínuo de medicamentos.

4. A colaboração entre profissionais de saúde pode beneficiar todos

Em vez de enxergar a questão como uma disputa entre profissionais, é importante ver a oportunidade de colaboração. A integração entre médicos, farmacêuticos e outros profissionais da saúde pode tornar o sistema mais eficiente, oferecendo ao paciente um cuidado mais completo e integrado. A troca de conhecimentos pode ser um grande aliado para a melhoria do atendimento.

5. Confie nas diretrizes e regras de saúde

Enquanto o debate sobre quem pode prescrever medicamentos continua, é importante confiar nas normas e regulamentações estabelecidas pelos órgãos responsáveis, como o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Federal de Farmácia. Essas entidades têm como objetivo principal a proteção da saúde pública e o bem-estar de todos.

Thais Reis

Graduanda em Pedagogia pela Faculdade Jardins. Redatora do grupo Sena Online.

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