Apesar dos avanços da medicina em reabilitação e suporte, até recentemente não existia um tratamento capaz de restaurar de forma significativa os movimentos perdidos. No entanto, novas descobertas, como o desenvolvimento da polilaminina, trazem esperanças inéditas. Veja abaixo detalhes sobre essa inovação e o que ela pode significar para quem vive com tetraplegia.
O que é a tetraplegia?
A tetraplegia, que é a paralisia dos quatro membros, afeta milhares de brasileiros todos os anos devido a acidentes e lesões na medula espinhal. Segundo o Ministério da Saúde, a incidência anual dessas lesões varia entre 40 e 50 casos por milhão de habitantes no país. Essa condição impacta profundamente a mobilidade, autonomia e a rotina diária das pessoas afetadas.
O que é a polilaminina e como nasceu seu estudo?
A pesquisa que originou a polilaminina surgiu de mais de 25 anos de dedicação da professora Tatiana Coelho de Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Foco inicial da pesquisa
O foco inicial esteve em uma proteína chamada laminina, encontrada naturalmente na placenta humana. A laminina exerce papel essencial no desenvolvimento do sistema nervoso: funciona como uma espécie de “guia biológica” capaz de influenciar o comportamento e a organização das células nervosas. Cientistas brasileiros conseguiram, a partir dessa base, isolar componentes e criar a polilaminina, uma modificação potencializada dessa proteína para aplicações terapêuticas.
Resultados observados
Entre os pacientes acompanhados nos testes iniciais, inclusive por decisões judiciais em caráter excepcional (uso compassivo), surgiram sinais de recuperação que desafiam a literatura médica clássica. Pessoas com diagnóstico de lesões consideradas irreversíveis passaram a apresentar, em poucas semanas após a aplicação:
- Pequenos ganhos de movimentos voluntários;
- Melhora da sensibilidade tátil e térmica em áreas antes insensíveis;
- Sinais de reativação neurológica detectados em exames;
- Resultados variados, do aumento modesto da autonomia até relatos de recuperação mais ampla.
Cabe ressaltar que cada caso evolui de maneira diferente, considerando o tipo de lesão, o tempo decorrido e outros fatores de saúde.
Caso específico
Caso emblemático envolve Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, tetraplégico após acidente com arma de fogo em 2025. O caso, visto como sério pelos especialistas, provocou a imobilidade dos seus membros.

Em janeiro deste ano, Luiz foi submetido à aplicação da substância polilaminina, determinada por decisão judicial, em um hospital militar de Campo Grande (MS). O procedimento aconteceu 110 dias depois do acidente, ultrapassando o limite estabelecido para o uso experimental da substância, que previa a aplicação até 72 horas após o trauma.
Entenda o estágio da pesquisa
Mesmo diante desses resultados animadores, a polilaminina continua classificada como medicamento experimental:
- Não existe, até o momento, aprovação definitiva da Anvisa;
- O uso está restrito a protocolos de pesquisa, acompanhamento rigoroso ou excepcionalmente mediante liminar (casos sem alternativas viáveis);
- No início de 2026, a Anvisa autorizou o início de estudos clínicos regulatórios em maior escala.
Apenas esses ensaios mais amplos revelarão: a real eficácia do medicamento, o grau de segurança, as situações em que ele faz diferença e possíveis efeitos a longo prazo. Ética e precaução são pilares em cada etapa.
Como funciona o tratamento na prática?
Durante os protocolos, profissionais aplicam a polilaminina diretamente no local da lesão na medula. Cada paciente passa por avaliações clínicas, fisioterapia individualizada e monitoramento constante dos parâmetros de saúde. O acompanhamento inclui testes de força, sensibilidade e exames de imagem, além de questionários para medir qualidade de vida e impacto emocional.
Limitações, riscos e cautela na busca por tratamentos
Especialistas orientam cautela: toda substância inovadora passa por fases obrigatórias de testes para avaliar riscos, efetividade e contraindicações. Alternativas ainda em estudo devem ser sempre discutidas com médicos qualificados e centros de referência em lesão medular.
- A polilaminina não está disponível em farmácias ou clínicas.
- Não há garantia de resposta para todos os casos.
- Resultados relatados, embora animadores, requerem replicação em grande escala para sustentação científica.
- Fique atento: quem promete curas definitivas ou acesso fácil geralmente está agindo fora da ética médica e da legislação.
Próximos passos
O avanço ainda é experimental, mas já oferece evidências de que novos caminhos estão surgindo para recuperar mobilidade e sensações. Procure sempre avaliação médica presencial para diagnóstico e tratamento adequados.
Perguntas frequentes
- Quem pode ser candidato ao tratamento com polilaminina?
Pessoas com lesão medular grave, especialmente tetraplégicas, podem ser avaliadas nos protocolos de pesquisa, mas o acesso atualmente depende de critérios médicos bem definidos e, no caso de uso compassivo, de decisão judicial. - O medicamento já está disponível para todos?
Não. A polilaminina está em fase experimental, restrita a ensaios clínicos e usos excepcionais. Não existe comercialização nem distribuição em larga escala. - Pessoas com paraplegia também podem se beneficiar?
Até o momento, relatos envolvem tanto pacientes tetraplégicos quanto paraplégicos, sempre após avaliação específica da equipe médica de pesquisa. - O paciente é informado sobre o caráter experimental da polilaminina?
Sim, o paciente é informado sobre o caráter experimental.
Para mais conteúdos como este, continue acessando Idosos Brasil!










Debate sobre post